era puro ar de ventilador
soprava contra as minhas narinas
um vento retorcido, removido
um furacão assolando o meu quarto
chegava de remessa, embalado
com um agudo cheiro de plástico
era um vento plastificado
embrulhado
sofisticado
— coisa vendida em shopping center
que fazer?
se o calor cozinhava a minha pele
as hélices não davam trégua
semanas depois percebi o meu lento suicídio
narinas interditadas
olhos áridos
o corpo inteiro em decomposição