Gordura trans
Fala comigo, por favor.
Não fica brava, fala comigo.
Esse silêncio está lipoaspirando meu cérebro.
Isso dói, isso dói muito.
Fala comigo.
Desliga a tevê e fala comigo.
Sobre o amor, sobre a vida,
sobre salvação das baleias,
oh pobres baleias.
Pobre de mim, tão gordo, tão solitário.
Tão extinto quanto a mais extinta das cachalotes.
Todas morreram de infarto do miocárdio.
Fala comigo, por favor.
Ah, não faz essa cara de arteriosclerose.
Fala comigo e eu prometo,
eu juro que divido com você
a última fatia do bolo-pudim de panetone.
Escrito por valério oliveira às 06h38
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